O
ano de 2026 marca um período de reacomodação estratégica no mercado de fusões e
aquisições (M&A), impulsionado por maior previsibilidade econômica,
retomada gradual do investimento estrangeiro e crescente pressão por
eficiência. Apesar do cenário eleitoral no Brasil, que adiciona cautela às
decisões, há sinais de recuperação do interesse de investidores internacionais,
sobretudo nos setores de energia, saúde, infraestrutura e tecnologia, além do
aumento de operações envolvendo empresas de pequeno e médio porte com margens
consistentes.
Nesse
contexto, a tecnologia ganha protagonismo. O uso de inteligência artificial já
impacta etapas relevantes das operações de M&A, desde a identificação de
potenciais targets até a realização de due diligences mais rápidas e precisas.
A automação de análises documentais e o tratamento de grandes volumes de dados
permitem decisões mais informadas, especialmente em ambientes regulatórios
complexos.
Também
se observa a ampliação do escopo das diligências, que deixam de se limitar aos
aspectos financeiros e jurídicos tradicionais e passam a incorporar análises
tecnológicas, de cibersegurança e critérios de ESG. Esses fatores ganham peso
crescente na avaliação de riscos reputacionais e operacionais.
Do
ponto de vista financeiro, o cenário de juros elevados favorece estruturas com
menor alavancagem, maior uso de capital próprio ou private debt e mecanismos de
ajuste de preço, como earn-outs, especialmente em operações marcadas por
incertezas quanto à performance futura. Empresas com fragilidades estruturais
tendem a sofrer impacto negativo no valuation, enquanto aquelas com governança
madura passam a ser mais valorizadas.
Além
das aquisições, cresce o movimento de reorganização de portfólios, com cisões e
venda de ativos não estratégicos acompanhando as transações. O cenário aponta
para um mercado de M&A mais técnico, seletivo e exigente, no qual estarão
melhor posicionados os agentes que integrarem tecnologia, governança e
planejamento estratégico.
Luiza Kuster Niece – Acadêmica do curso de Direito na
Pontifícia Universidade Católica do Paraná e estagiária no setor Cível e
Empresarial do escritório Alceu Machado, Sperb &
Bonat Cordeiro Advocacia.





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