Samuel Hanan*
Entramos em um ano
eleitoral. Esse período certamente será marcado por intensa propaganda,
permeada por muitas mentiras, meias-verdades e promessas – novas e requentadas
– na tentativa de ganhar o voto do eleitor.
Quem está, de fato,
interessado em fazer a melhor opção para o Brasil precisa conhecer ou se
lembrar de alguns dados fundamentais para decidir com consciência quando chegar
o momento das urnas. Vamos a alguns fatos.
De 23 anos para cá, o
Brasil foi governado pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu
partido (PT), durante 16 anos e meio, ou seja, em 70% do período. É impossível,
portanto, dissociar a responsabilidade do atual governo da situação do país
neste momento.
Atualmente, de acordo com
o IBGE e o Banco Mundial, o Brasil tem quase 60 milhões de pessoas vivendo com
renda per capita mensal inferior a R$ 600. É pouco mais de um terço do salário
mínimo. Além disso, cerca de 70% dos aposentados e pensionistas do INSS, que
somam 27 milhões de pessoas, recebem apenas um salário mínimo mensal.
No país, são mais de 4
milhões de pessoas idosas e com deficiência sem nenhuma renda, sustentando-se
exclusivamente com um salário mínimo mensal garantido pelo Benefício de
Prestação Continuada (BPC), sem direito ao 13º salário.
Temos ainda de 20 milhões
a 21 milhões de famílias – mais de 60 milhões de brasileiros – recebendo o
benefício do Bolsa Família, em média inferior a R$ 700/mês, sendo condição para
ter acesso ao programa estar registrado no cadastro único e viver na pobreza
(com renda de até R$ 665/mês) ou na extrema pobreza (renda inferior a R$
209/mês) segundo dados do IBGE.
De toda a população que
trabalha no setor privado e contribui para o INSS, 35,63% (ou quase 34,5
milhões de cidadãos) recebem vencimentos mensais de apenas um salário mínimo.
Outros 30% desse contingente ganham entre um e dois salários mínimos por mês.
No setor público, há
cerca de 2 milhões de cidadãos, servidores municipais, que recebem apenas um
salário mínimo/mês. Isto é: no Brasil de hoje, entre 97 milhões e 100 milhões
de pessoas vivem com menos de um salário mínimo por mês.
Ninguém fez essas contas,
mas o governo federal, mesmo sabendo das enormes desigualdades regionais,
sociais, raciais e educacionais, agravou ainda mais as dificuldades dos 50%
mais pobres da população, essa enorme massa que vive com menos de um salário mínimo
por mês.
Mas não é só. Mais de 60
milhões de pessoas beneficiárias do Bolsa Família vêm perdendo a capacidade de
comprar alimentos por causa da inflação – de 2024 (4,83%) e de 2025 (4,26%) –,
somada aos 33 meses sem reajuste do benefício. Essa perda foi de R$ 390,43 em
2025 e chegará a R$ 755,64 ao fim de 2026.
Beira o deboche o governo
gastar tanto com esse tipo de despesa, suportada com recursos retirados do
bolso e das mesas dos trabalhadores.
Vale lembrar o
ensinamento de John Kenneth Galbraith (1908-2006): “Nada mais eficaz para
limitar a liberdade, incluindo a liberdade de expressão, como a total falta de
dinheiro”. Indo além, cito também Harry Edson Browne (1933-2006): “O governo é
bom em uma coisa. Ele sabe como quebrar as suas pernas apenas para depois lhe
dar uma muleta e dizer: ‘Veja, se não fosse pelo governo, você não seria capaz
de andar!’”. Digam-me se não é exatamente o que estamos vivendo, o cenário
atual.
O povo brasileiro, que
possui a liberdade e o poder do voto, precisa de informações corretas e muita
reflexão para não se deixar enganar pela propaganda eleitoral que vem por aí.
*Samuel Hanan é
engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de
empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002).
Autor dos livros “Brasil, um país à deriva”, “Caminhos para um país sem rumo” e
“Amazônia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial”. Site:
https://samuelhanan.com.br




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