Além do conhecimento técnico, empresas buscam profissionais capazes de se comunicar e gerar confiança

 

Com mudanças no mercado de trabalho e avanço da inteligência artificial, habilidades como comunicação, escuta ativa e liderança passam a ser cada vez mais valorizadas por empresas e profissionais

Saber executar uma tarefa tecnicamente bem já não é suficiente para garantir espaço, influência ou crescimento profissional. Em um mercado de trabalho marcado pela transformação tecnológica, a capacidade de comunicar ideias, conduzir conversas, ouvir diferentes perspectivas e estabelecer relações de confiança ganha cada vez mais peso nas decisões de negócios e na construção de carreiras.

Um levantamento do LinkedIn sobre as habilidades que mais crescem no Brasil em 2025 colocou comunicação na segunda posição, atrás apenas de inteligência artificial. O ranking também inclui pensamento estratégico, retenção de clientes e política comercial entre as cinco competências que mais avançaram no país. Segundo a plataforma, cerca de 70% das habilidades utilizadas na maioria das profissões devem mudar até 2030.

A tendência também aparece no Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, que ouviu mais de mil empregadores em diferentes países. O estudo aponta que liderança e influência social são consideradas habilidades essenciais por 61% dos empregadores, enquanto empatia e escuta ativa aparecem para 50%. O relatório ainda estima que quase 40% das competências essenciais exigidas no trabalho devem mudar até 2030.

Para Jeniffer Koyama, empresária e mentora de desenvolvimento pessoal e fundadora da JK Academy, a mudança está em compreender que comunicação não significa apenas falar bem ou ter boa oratória.

“A comunicação profissional deixou de ser apenas uma questão de saber se expressar. Ela envolve entender quem está do outro lado, saber ouvir, interpretar contextos e construir uma relação em que exista confiança. Você pode ter muito conhecimento técnico, mas, se não consegue transmitir esse conhecimento, defender uma ideia ou conduzir uma conversa, esse valor não chega ao outro”, afirma.

Essa relação entre comunicação e confiança também aparece em pesquisas voltadas ao ambiente empresarial. Na Trust Survey 2024, da PwC, 93% dos executivos entrevistados afirmaram que construir e manter confiança melhora o resultado financeiro das empresas. A pesquisa também identificou uma diferença significativa entre a percepção de líderes e funcionários: enquanto 86% dos executivos disseram confiar muito em seus funcionários, apenas 60% dos empregados afirmaram sentir que são altamente confiados por seus empregadores.

No relacionamento com consumidores, a comunicação também aparece como um dos elementos associados à construção de confiança. Na mesma pesquisa da PwC, 72% dos consumidores consideraram a comunicação clara um fator muito importante para confiar em uma empresa.

Para Jeniffer, essa lógica ajuda a explicar por que profissionais que conseguem criar conexão tendem a ganhar relevância em diferentes áreas, da liderança às vendas.

“Quando uma pessoa consegue explicar uma ideia com clareza, ouvir antes de responder e adaptar a comunicação ao perfil de quem está diante dela, ela reduz ruídos e aumenta a possibilidade de construir confiança. Isso vale para uma negociação, uma reunião de equipe, uma apresentação ou uma conversa difícil com um funcionário. Não estamos falando de convencer a qualquer custo, mas de criar condições para que exista uma troca real”, explica.

O impacto aparece também no universo comercial. Dados do LinkedIn sobre vendas já mostraram que, embora apenas uma parcela dos compradores considere a profissão de vendedor confiável de maneira geral, aqueles profissionais que conseguem estabelecer essa relação são percebidos de outra forma: 88% dos compradores descreviam os vendedores com quem efetivamente faziam negócios como “consultores de confiança”. A pesquisa também apontava a escuta ativa como uma das características mais valorizadas pelos compradores.

Nesse cenário, empresas especializadas no desenvolvimento dessas competências vêm acompanhando uma demanda que ultrapassa o treinamento tradicional de oratória. A JK Academy, criada por Jeniffer Koyama a partir do Método JK, atua com treinamentos, mentorias e imersões voltados à comunicação, posicionamento profissional e desenvolvimento de lideranças. O negócio registrou R$ 1 milhão em faturamento em 2025 e projeta chegar a R$ 2 milhões em 2026, crescimento que acompanha a ampliação da procura por desenvolvimento de competências comportamentais no ambiente corporativo.

A trajetória também tem levado empresários a buscar esse tipo de desenvolvimento não apenas para si, mas para suas equipes. É o caso de Mateus Queiroz, sócio do Grupo The Best, que realizou treinamentos e posteriormente uma mentoria individual com Jeniffer.

“Primeiro de tudo, busquei o curso porque queria ser provocado e, principalmente, desenvolver mais confiança na minha comunicação. E posso dizer que me surpreendi muito com toda a abordagem da Jeniffer, tanto pela forma como ela conduz o processo quanto pela profundidade das provocações”, relata.

Segundo ele, a experiência também mudou a forma como observa as próprias interações profissionais e o comportamento de diferentes perfis. Depois do treinamento, passou a incentivar a participação de outros integrantes da empresa.

Para Jeniffer, a tendência não significa que profissionais precisam se transformar em grandes oradores, mas que precisam aprender a utilizar a comunicação como ferramenta de trabalho.

“Não acredito que o profissional que fala mais seja necessariamente aquele que mais se destaca. Muitas vezes, é justamente quem sabe fazer a pergunta certa, ouvir uma resposta, sustentar uma posição e conduzir uma conversa com segurança que consegue gerar mais impacto. Comunicação é uma competência de negócio porque interfere na forma como as pessoas percebem você, tomam decisões e constroem relações”, conclui.

Sobre a JK Academy

Fundada em 2021, em Londrina (PR), a JK Academy é uma empresa especializada em comunicação, oratória, posicionamento profissional e desenvolvimento de lideranças. Criada pela empresária e mentora Jeniffer Koyama, fundadora do Método JK, a empresa desenvolve treinamentos, mentorias e imersões voltados ao fortalecimento de habilidades humanas, ajudando profissionais, líderes e organizações a aprimorarem sua comunicação, influência e capacidade de gerar conexões. 



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